Parece que estou vendo o filme de novo: Burity voltando ao Governo pela segunda vez, depois de obter uma maioria consagradora de 300 mil votos sobre Marcondes Gadelha, acreditado, aclamado, ovacionado, todo mundo apostando nele e o governador, pressionado pelo Ministério Público, demitindo do Estado 28 mil servidores irregularmente contratados nas gestões de Wilson Braga e Milton Cabral. O ato de Burity foi legal, mas ele nunca mais se aprumou na vida. De campeão de votos, passou a campeão de insucessos. Morreu sem se eleger a mais nada.
O governador Ricardo Coutinho é um homem sério, todo mundo sabe, tem propósitos bons para o Estado, sua eleição foi inquestionável, mas me incomoda essa pressão do Ministério Público. O filme é o mesmo, os personagens, embora diferentes, encenam o mesmo papel: de um lado a chamada legalidade, de outro os ilegais que foram botados no serviço público sem concurso. Demitir 30 mil, como ficou acertado, apenas aumenta a cota de Ricardo . A de Burity foi de 28 mil e, como todos sabem, serviu para entortá-lo na política. A de 30 mil entorta e deixa torto.
Esse pessoal ilegal apontado pelo Ministério Público está aí desde os tempos de Ivan Bichara, que foi quem criou o temporário. Passaram-se Governos e mais Governos, até mesmo o de Burity com seus 28 mil, sem ninguém mexer. Agora chega Ricardo e, de uma penada só, anuncia a saída de 30 mil. Sei não, viu Mago, mas acho que isso pega mais do que maldição de sogra. Esse tema vai ser explorado nas eleições vindouras. E tomara que nosso governador não repita Burity II.
Convém lembrar que esse povo não teve culpa pelo ato ilegal. Ganhou o emprego e pronto. Além do que, há trabalho prestado, a contra partida existe. Para o Ministério Público é muito comodo exigir a canetada. Mas o demitido é quem vai sentir a falta de feijão na panela, o choro do menino com fome, o olhar sem esperança da mulher faminta em casa com as panelas emborcadas, o fogão apagado por falta de gás, o desanimo nos olhos pela falta de forças.