Ricardo Coutinho voltou nesta sexta ao lugar em que praticamente
oito meses antes, em abril deste ano, renunciou o mandato de prefeito de
João Pessoa para se aventurar numa disputa aparentemente suicida ao
governo do Estado.
Naquele dia, fez o discurso cantando um clássico. Foi a música
Canção da Despedida. “Já vou embora, mas sei que vou voltar..." Ricardo
voltou. Voltou contra toda a lógica que se estabelecia nesta disputa.
Mas voltou.
E voltou pelas mãos de mais de um milhão de paraibanos que o
permitiram pegar no diploma de governador do Estado. Diploma esse que,
pelo discurso de improviso proferido nesta sexta, não o cegará.
“Eu sei exatamente o recado que foi dado pelo povo da Paraíba. Eu
nunca me iludi por cargos e tenho uma auto cobrança. O povo quer
mudança. E eu vim para mudar”, disparou Ricardo.
A frase, se traduzida, resume todo o pensamento do projeto que o
novo governador parece querer implantar na Paraíba. A auto cobrança
significa um governo de metas. E isso por si só já é uma grande mudança.
Governar por resultados é priorizar as políticas públicas, obras e
gestões mais do que os gostos da classe política. É cobrar dos
secretários e auxiliares de governo e dizer-lhes, como Ricardo disse no
discurso, que ninguém é efetivo no novo governo.
“O governo tem sido bom para classe política, mas ruim para o povo paraibano”, disparou Ricardo.
O governador diplomado declarou que quer avançar nos índices de
educação, aperfeiçoar a prestação do serviço público e fomentar e
economia paraibana para tira-la da marca de depósito de servidores
públicos.
Apesar de defender mudança, foi numa só frase que resumiu o que
pretende fazer a partir de janeiro de 2011: “Não tem pílula dourada. Não
tem fórmula mágica. Tem trabalho”.
Luís Tôrres